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Dia Mundial do Médico de Família

Sofia Rodrigues

O Dia Mundial do Médico de Família assinala-se a 19 de maio, desde 2010, sendo um dia para destacar o papel e o contributo dos médicos de família nos sistemas de saúde em todo o mundo e celebrar os progressos em medicina familiar.

 

Family Practice is that aspect of medical care performed by the doctor of medicine who assumes comprehensive and continuing responsibility for the patient and his family, regardless of age” [Tradução: a Medicina Geral e Familiar é a especialidade médica na qual o médico assume responsabilidade abrangente e contínua pelo paciente e a sua família, independentemente da idade] (Comité  da American Medical Association sobre Preparação para a Clínica Geral,  junho de 1959).

O médico de família é, habitualmente, o primeiro ponto de contacto médico com o sistema de saúde, proporcionando acessibilidade a esse mesmo sistema aos seus utentes, lidando com todos os seus problemas clínicos independentemente de idade, sexo ou qualquer outra característica. É também constantemente estimulado de modo a utilizar eficientemente os recursos de saúde, coordenando a prestação de cuidados, não só ao nível dos cuidados de saúde primários (com outros profissionais, como enfermeiros, psicólogos, assistente social), mas também em articulação com outras especialidades médicas (a nível hospitalar - cuidados de saúde secundários), zelando pelo melhor interesse do doente. Ao referenciar um utente para outra especialidade, o médico de família procura complementar a sua abordagem clínica, sem nunca a amputar, fomentando uma abordagem centrada na pessoa, e simultaneamente orientada para o indivíduo, a família e a comunidade (muitas vezes de difícil exequibilidade nos cuidados de saúde secundários). Os médicos de família seguem os utentes ao longo da sua vida, não estando previsto o ato de “alta”. 

Presta cuidados continuados longitudinalmente consoante as necessidades do utente. A título de exemplo, em plena época de pandemia por COVID19, vários utentes foram contactados pelo seu médico de família no sentido de apurar as suas necessidades (de renovação de receituário, de seguimento das suas patologias ou, apenas (e não menos importante), de sociabilização).

E os diagnósticos? E as decisões? Estas tendem a ser determinadas pela prevalência e incidência de doença na comunidade, sem desvalorizar o contexto clínico e epidemiológico próprio de cada doente. É este o médico que gere em concomitância todos os problemas clínicos, tanto agudos como crónicos. São os gestores da doença que se apresenta de forma indiferenciada, numa fase precoce da sua história natural, e que pode necessitar de intervenção urgente. 

A sua prática está orientada para a saúde da comunidade e prevenção de doenças. Nesta mesma linha, a 29/01/2019 foi realizada uma caminhada para utentes diabéticos da USF Descobertas. Em maio de 2019 foi fornecida informação, de viva voz, nas escolas sobre Prevenção e Proteção Solar, entre outros projetos concretizados sob a coordenação de médicos de família.

O médico de família promove a saúde e bem-estar através de intervenções apropriadas e comprovadamente efetivas, tendo por base uma visão holística, lidando com os problemas de saúde em todas as suas dimensões: física, psicológica, social, cultural e existencial.