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A solidão em tempos de COVID-19

Andreia Ribeiro

Após o diagnóstico do primeiro caso de COVID-19 em dezembro de 2019 em Wuhan, uma ação a nível global foi iniciada, principalmente após a Organização Mundial de Saúde declarar a COVID-19 como pandemia a 11 de Março de 2020. De modo a ser possível diminuir a transmissão do vírus, foram impostas medidas sem precedentes, denominadas globalmente como medidas de “distanciamento social” com intenção de diminuir o aumento dos contágios, permitindo diminuir o número de novos casos.

No entanto, apesar de necessárias, estas medidas agravaram o isolamento social e a solidão. Este é um problema especialmente relevante na população idosa em que se estima que aproximadamente 50% dos adultos com mais de 60 anos se encontram em risco de isolamento social e cerca de um terço vai sentir solidão.  Um estudo na população portuguesa, demonstrou que quase 40% dos idosos fica pelo menos oito horas do dia sem contactar com ninguém.

A solidão é um problema importante?

A solidão apresenta-se como um fator de mortalidade semelhante ao consumo de 15 cigarros por dia, representando um rico maior do que o sedentarismo ou a obesidade. A solidão está associada a ansiedade, depressão, pior controlo da hipertensão arterial, doença cardiovascular e demência. Pelo contrário, as relações sociais com família, amigos ou outros elementos da sua comunidade aumentam a probabilidade de sobreviver em situações difíceis e permitem lidar melhor com os tempos em que se está sozinho.

Como combater a solidão?

Apesar de ser utilizado o termo “distanciamento social” é importante referir que na realidade o que diminui a transmissibilidade do vírus é o “distanciamento físico”, reforçando a importância de compreendermos que apesar da distância física, podemos e devemos estimular a que não exista um isolamento social. Sabemos que para o combate ao isolamento social e à solidão não existe nenhuma intervenção que sirva a toda a população ao mesmo tempo, uma vez que cada pessoa vive a solidão e o isolamento de modo muito diferente. Existem iniciativas de várias organizações que tentam evitar este isolamento, no entanto, todos nós podemos contribuir para evitar esta pandemia de solidão. De modo simples, um telefonema por dia para familiares ou amigos com quem não temos conseguido estar ultimamente será um modo de manter contacto. Esse acto tão simples, poderá fazer uma diferença enorme na outra pessoa e em nós próprios. E se na comunidade identificamos alguém a viver sozinho? Podemos oferecer ajuda para as compras ou para alguma tarefa que seja necessária, permitindo que mesmo à distância haja um contacto social, sabendo como está o nosso vizinho e saber como foi o seu dia.

O mundo foi assolado pela pandemia da COVID-19 sem estar preparado para as suas consequências. Foram implementadas novas medidas que determinaram a mudança do estilo de vida das populações. Se existem partes boas, como a lavagem frequente das mãos, a solidão, por outro lado, deve ser combatida. Para tal, somos todos peças essenciais neste combate: reduzindo a solidão dos outros, bem como a nossa própria solidão.

As seguintes linhas telefónicas estão disponíveis para dar apoio a pessoas que se encontram a sofrer de solidão ou de isolamento social:

- SOSolidão: 800 91 29 90 (segunda a sexta-feira das 10h às 17h);

- SOS Voz Amiga: 213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660 (diariamente das 16h às 24h)